domingo, 3 de março de 2013

CAI A NOITE



Agora que demoro-me na casa vazia
Ouço os sons do pensamento insolente
Entrego-me a ele que transporta-me feito animal alado
Carrega-me pelo horizonte até pousar ao teu lado
Fecho os olhos sem permitir que nada escape
Tua imagem congelada ao meu alcance

Recosto a cabeça na densidade da luz 
Que firma-se com tua presença
Aperto os dedos nas palmas cerradas
Nada mais se move em cima do papel
Onde deveria escrever um poema 
Com o eco do amor encarnado

Ensinaste-me a construir toda uma vida
Com o fogo de teu desejo na ponta de teus dedos
Guardo-me em ti: em ti moram as minhas estrofes
Sentidas no teu peito, ganham voz em teus lábios
Que abrigam na minha boca os teus beijos

Percorro devagar os caminhos da saudade
Encontro teu corpo. De pé dominaste o espaço
Mordo novamente tua carne numa tarde proibida
Até que tuas pernas não possam mais sustentar-te
Quando nossas mãos vencem a distância
E interrompem a passagem do vento

Deitaste-me protegida no abraço das confidências 
Que revelaste-me na intimidade: cumplicidade confiante
Que jamais em tua vida experimentaste 
Aquecida por teus braços respiro a chuva que cai 
Sem saber se o trovão que ouço 
Ressoa no tempo ou apenas dentro do meu peito

Retorno aos poucos da vida que presenteaste-me
O amor, seus sons, todos os sabores e pensamentos 
Recolhem-se na silenciosa imensidão da noite
Para revelarem-se, eternizados no calor desses versos
Escritos no papel com as brasas da paixão e ternura
Onde guardo, penetrado em cada uma das palavras, 
O teu nome.

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