domingo, 3 de março de 2013

HÁ MUITO, MUITO TEMPO ATRÁS...



Os bons e velhos tempos estão de volta. Pelo menos aqueles que se referem aos contos para adultos que foram “seqüestrados” há séculos. Sim, porque antes de Andersen, Grimm, etc, os príncipes, princesas, bruxas e toda entourage eram para divertir os adultos. E o cinema e a televisão os trouxeram de volta para nós. O que, confesso, estou adorando. Sei que haverá sociólogo, psicólogo ou outro “ólogo” de plantão para explicar como isto pode ser uma resposta a recessão americana, da mesma forma que Super-Homem é super-herói dos governos republicanos e Batman dos democratas...

Pode ser, pode não ser. Não entro neste mérito, o que me importa é me divertir com as novas versões de Branca de Neve (não houve rainha má mais divertidamente coquete do que a Julia Roberts em Espelho, Espelho Meu), curtir as citações esotéricas com o charmoso Jimmy Gancho (Rhys Ifans) em Terra do Nunca, a Origem e acompanhar a vingança de João e Maria, nem que seja só para se derreter por Jeremy Rener. Ops, perdão meninos, mas este Jeremy...

Esta onda começou tímida, e um dos primeiros foi Alice do fenomenal Tim Burton, que, aliás repetiu a dose em 2012 e virou candidato a Oscar com a deliciosa releitura de Frankenstein em Frankenweenie. Mas, é na televisão que vem os melhores exemplos destas novas versões das antigas fábulas. Duas séries estão arrebatando fãs em todo o mundo. Grimm e a originalíssima Once Upon a Time.

Grimm é uma homenagem aos irmãos que condensaram as fábulas. Nela um detetive policial se descobre descendente e membro de um grupo cuja missão é impedir que seres provenientes do mundo das fábulas façam mal aos humanos ou a outros seres humanóides do bem. E qual é o nome deste grupo? Um conto novinho para quem respondeu, Grimm. Com maravilhosos truques de maquiagens a gente confirma na tela o que costumamos pensar ou comentar entre amigos: “aquela pessoa tem cara de fuinha”, “fulana parece uma ovelha”, “sicrano tem jeito de coelhinho assustado”...

Mas, a cereja do bolo, é uma graciosa e delicada pérola chamada Once... Nela estão todos os nossos heróis e vilões da infância. Branca de Neve, Príncipe, Bela Adormecida, Pinóquio, Chapeuzinho Vermelho, Capitão Gancho, 7 anões, Mulah... Até Rei Arthur já andou por lá. E, juro que tudo com uma coerência de roteiro genial: Branca de Neve acaba levando à morte o amor da vida da Rainha que se tornará Má por isto. Por vingança, depois que o truque da maçã não dá certo, a rainha roga feitiço e Branca de Neve, príncipe e todo o reino são enviados para uma realidade paralela em uma cidade no interior dos Estados Unidos (Storebrooke), onde quase todos esquecem o que eram. E será a filha de Branca de Neve quem irá libertar todos. Simples ? Ingênuo? Não, não tire conclusões antes de assistir um episódio.

O melhor que o politicamente correto passa milhas e milhas distante de Storebrooke. Os heróis têm um quê de ingênuos e de inseguros. E os maus? Bom basta dizer que, os melhores personagens são a rainha má Regina e o espetacular Rumpelstiltskin ou Mister Gold. Sim, o duende vilão dos irmãos Grimm rouba todas as cenas. E é a ele que as pessoas procuram quando se acham “sem alternativa”. O barato é que Mister Gold sempre adverte que tudo tem uma alternativa, o problema é querer ou não enfrentá-la. Por vários motivos as pessoas preferem que ele resolva o problema através da magia. E, quando ele volta para cobrar, as pessoas se lutam desesperadamente para não pagar o que devem. Mas acabam cedendo, e assim, Mister Gold é o ser mais temido e odiado da cidade. Apenas ele e Regina sabem o que realmente são e os reais riscos que os habitantes da cidade correm. São os carrascos e os “defensores” do reino. Ops, cidade de onde ninguém consegue sair. 

Enfim pode até ser que a recessão e o empobrecimento norte-americano façam com que, inconscientemente, os adultos queiram voltar a um tempo em que o mal era facilmente vencido e os monstros viviam apenas nas páginas do livro. Mas, o sucesso destas obras se dá também pela “humanização” daqueles que até então eram 100% maus e pela inteligência e originalidade dos textos.

Mirtes Guimarães, a @marcia1907, é a jornalista mireiroca que traduz o cotidiano para o blog, inclusive o cotidiano da fantasia.

Arquivo:

Serviço: 
Grimm – Universal Channel –segunda-feira às 23hs
Onde upon a time – Sony – quinta às 21hs
Ambas já estão em DVD


1 comentário:

  1. A Mirtes faz a gente enxergar coisas despercebidas, tanto no cinema, em que é especialista, como na vida. Tanto que virou minha guru, até porque é a rainha do bom senso.
    Amei o texto, e no próximo filme, vou fazer consulta prévia, para não perder nada da minha cinéfila favorida. Bjs, querida.

    ResponderEliminar