terça-feira, 4 de junho de 2013

CAI A NOITE


Nunca me rebaixei tanto como aqueles
Que, como um olho, face, ou lábio, se fascinam.
      E raras vezes como aqueles, que mais não desejam
      Do que admirar as virtudes da mente:
Porque os sentidos e o entendimento podem
      Saber o que alimenta o seu fogo.
Embora idiota, o meu amor é mais corajoso
Porque posso falhar sempre que desejo,
E contudo sei o que quereria ter.

Se tal não for apenas a perfeição mais absoluta
Que de nenhum modo possa ser expressa
      Senão por negativas, assim é o meu amor.
      À totalidade, que todos amam, eu digo não.
Se alguém consegue decifrar melhor
      E saber o que nós próprios não sabemos,
Deixem que me ensine esse nada. Isto
é, até agora, a minha calma e o meu consolo:
Embora não me apresse, nada posso perder.

John Donne
Ilustração: Love couples, de Gustav Klimt, 1903

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