quinta-feira, 17 de outubro de 2013

AÉCIO E A OPOSIÇÃO "NOS OLHOS"

(Photo: Ailton de Freitas/O Globo)

Em eleição majoritária, há o vencedor e os demais, derrotados. Estamos em ano ímpar, pré-eleitoral, que costuma ser ano de realizações de governos que ficam, via de regra, nos dois primeiros, estagnados. É ano de se erguer algo de concreto para ter o que mostrar, "ter o discurso" no ano par imediatamente subseqüente, seja para buscar a reeleição ou para eleger um seu sucessor. A dona Dilma Presidente, que não leva o menor jeito para palanque mesmo sem nunca descer dele, está em plena campanha eleitoral nesse ano ímpar. Não é o caso de o seu governo "realizar" para ter capital de obras e feitos para apresentar, exceto via a máquina de propaganda, que funciona bem. Por outro lado, também é no ano pré-eleitoral que as forças que pretendem vencer o atual governo ao disputar o mesmo cargo, devem reafirmar e intensificar suas posições. 

Numa eleição presidencial, sem sombra de dúvida, há espaço para os derrotados com campanhas vitoriosas, porque vencer e perder são partes da eleição. Já disputar para vencer, mesmo perdendo, isso é apenas para os que realmente têm o essencial: a vontade. Questão de competência de "discurso". É disso que se trata fazer oposição. É isso que não é uma derrota política, mesmo se for uma derrota eleitoral.

Nada é pior do que o PT para o Brasil, ninguém é pior do que os seus membros (filiados ou mitocondriais, como Marina Silva é) para nos governar. O pragmatismo mostra que para fazer política e seguir fazendo, é preciso VENCER uma eleição. Vencer o PT é algo que só se faz com inteligência, fogo nos olhos, faca nos dentes e ferradura nos cascos. Com essa vontade e muita técnica, cercado de competência por todos os lados, não só é possível apresentar ao eleitorado uma campanha politicamente vencedora, mesmo se o resultado for desfavorável, como há uma real possibilidade de vitória eleitoral. 

Para convencer o eleitor, é preciso que o candidato esteja convicto de suas verdades e de suas razões. Foi o que o senador Aécio Neves, pré-candidato tucano à Presidência, mostrou aos seus colegas de bancada no almoço ocorrido na tarde dessa quarta, 16. O encontro foi fechado e o Estadão contou alguns detalhes. Mas este post trata de algo que este blog e seus leitores mais querem, há tempos: oposição. E obviamente, um candidato de oposição que não se envergonha disso, não se esconde atrás de propaganda subordinada àquelas estabelecidas por Duda Mendonça (e depois João Santana). Que saiba o que está fazendo, mas também, principalmente, que saiba o PORQUÊ de ser candidato a Presidência da República.

No almoço com 44 dos 46 deputados federais do PSDB, Aécio fez muito mais que declarar-se, objetivamente, contrário a alianças estaduais com o PSB do socialista-lulista Eduardo Campos, conforme noticiado, e ouvir a frase "palanque duplo é coisa de corno." A sentença do deputado paulista bem-humorado também serve para retratar o que Eduardo Campos e Marina Silva fazem, o seu jogo duplo, "coisa de corno". Porque oposição se faz opondo-se. Enquanto Aécio determina zero de "coligações" com o PSB, o marido da suposta vice-candidata de Campos propaga orgulho em ser aliado do PT e defende isso com unhas, dentes e bate-boca no Facebook. No mesmo jornal que distribui o conteúdo sobre o encontro tucano, há a notícia de que o PSB mantém uma série de cargos estratégicos no governo federal. É do neto de Miguel Arraes a oposição que vai apenas até a página 2.

No encontro com a bancada, Aécio convenceu. Tratava-se, ali, de uma platéia experiente, calejada em política e eleição, acostumada a gastar sola de sapato ganhando votos um a um. Há dentre eles políticos de toda espécie. Pois o tucano conquistou aqueles que são mais à esquerda (inerente ao PSDB) para a sua proposta desenvolvimentista, um tanto mais liberal, que valoriza o empreendimento, o mérito. Convenceu que pregar mais realização e menos estado não só é viável como é a melhor alternativa para o bem do Brasil. 

Na dinâmica do diálogo durante o almoço (para cada deputado que fazia suas ponderações, sugestões, observações, Aécio fazia os seus comentários), o senador de Minas Gerais convenceu os deputados mais à direita que ele sabe o que está fazendo. Que antes de ser candidato, é preciso ter internalizadas, em si, as razões pelas quais o Brasil deve elegê-lo. "Não temos que vencer porque queremos ganhar uma eleição. Temos que vencer o PT, porque o PT é prejudicial para o Brasil", vaticinou, com indignação. É isso. É disso que se trata. É o essencial, no espírito de uma campanha vencedora: o porquê. É a razão pela qual deve ser ele o Presidente do Brasil. 

"Qual é o sentimento? O clima?" eu quis saber. Porque a narração protocolar, comum, fria como toda notícia é - e no caso de O Estadão sobre Aécio é fria até demais - eu já obtivera ao ler o jornal. "Mais que um discurso moderno e arrojado, Aécio está com o brilho nos olhos, o brilho do vencedor."

Eu digo sempre que o governo Dilma não governa para não correr o risco de não errar. Pois Aécio Neves está correndo o risco de acertar, ao demonstrar, nos olhos, a razão de ser oposição.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo seu texto, Regina. Está maravilhoso e compartilho de sua opinião. (Chris-SP)

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  2. Mestre Regina - com carinho - o correto e coerente artigo, deu na carótida. Luz na entrada do túnel - no meio do túnel e no final do túnel. Que todas as bençãos e graças do Deus da Vida - possibilitem o** encontrar a chuva no amanhã deste Brasil, vívido de amor e esperança.

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