quinta-feira, 10 de outubro de 2013

CAI A NOITE


Quando ao me amares o meu nome tu dizes
É como se o dia tivesse nascido
sem se dar conta se acaso o sol já se deitou
Se é noite, se há brisa - ou chuva
É como se uma ave vadia levasse
cada vez mais para o alto e mais acima
Minh'alma para o profundo céu
- dos teus olhos;

Quando ao me amares dou-te o meu nome
(e fico com o teu)
É como se o tempo sequestrasse 
todo o ar que (em mim) tu respiras
E retirasse do meu mundo todas as palavras
Para que não haja mais ruídos,
para que não sejamos mais dois nomes,
mas apenas um - que tu gritas no teu êxtase.

Nós dois, na cama, lado a lado
Separados pelo inverso da distância
Juntos pelo calor que exalamos
Ouvimos o som grave, baixo, compassado
sem saber bem se vem de fora da janela
ou das batidas do coração no peito arfante
Este som, pequeno como um roçar de asas
Cria raízes no lugar do meu nome - e do teu
quando em mãos, olhos e sorrisos,
Nós falamos de amor.

1 comentário:

  1. Sozinho ,jogado no sofá e na tela,entediado e meio triste.Mas teu poema me fez lembrar algumas coisas,sonhar por um instante.

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