domingo, 17 de novembro de 2013

MENSALÃO: A PEDAGOGIA DA PRISÃO


Estão finalmente presos no Complexo da Papuda os principais operadores do mensalão, o maior caso registrado de corrupção na história do Brasil. Cá nessas terras morenas, a corrupção ocupa todos os espaços da vida, deixando de ser parte acidental, desviada, obra do acaso com a oportunidade para alguns homens, para lhes tornar essencial. 

A forma arquitetada com que deu-se o mensalão nada mais foi do que a sistematização da corrupção, com regras, organogramas, calendários e objetivos claros: formar uma rede de apoio a Lula, no seu recém (à época) iniciado governo. Dessa forma, através de partidos menores além do PT, o partido do Presidente da República garantiria sua "base" no Congresso sem precisar tanto do pragmático (a depender, fisiológico) PMDB. O mensalão significaria, não tivesse emergido, a "independência" do governo do PT para o Lula, contra o maior e principal aliado de chapa eleitoral mas que, todos sabemos, costuma vencer os embates no Congresso mesmo se for contra o governo do qual é aliado. 

Iniciado em agosto de 2012, o julgamento do mensalão, apesar das expectativas e esperanças de condenação, poderia resultar em qualquer coisa. Não foi o que ocorreu. Apesar dos intermináveis recursos, foram os réus declarados culpados mediante provas sólidas, cabíveis, legais. E sentenciados, cada qual à pena que lhes caberia. Uma possível absolvição nesse julgamento significaria, definitivamente, a descriminalização prática da corrupção. Portanto, a prisão dos mesmos ocorrida neste feriado da Proclamação da República pela pena firme das ordens do ministro Joaquim Barbosa, sacramenta o oposto.

Se  presos dois dias, dois anos ou cumprindo-se as sentenças todas, não faz diferença prática. A pedagogia da Justiça às vítimas (o povo) está firmada. Não há um só brasileiro cumpridor dos seus deveres legais que não se sinta honrado em sua honestidade com a prisão de bandidos, criminosos, ineditamente encarcerados membros da alta cúpula do alto partido do alto poder da República tupiniquim. Mas a pedagogia da prisão não se dá mediante isso, apenas. Dá-se porque mostra para todos os outros corruptos e corruptores que este crime deixou de ser algo que vigorava apenas entre a pequena parte da imprensa corajosa e livre e os cidadãos/eleitores mais atentos ao noticiário. A pedagogia da execução das penas dos corruptos do PT e seus aliados comparsas incide sobre a certeza da impunidade que já não mais há. Incide diretamente sobre os intentos dos próximos que queiram atentar contra os cofres públicos. 

Uma outra pedagogia das prisões do mensalão deve ser aplicada diretamente sobre o eleitor. Não há punição que baste sem que haja, a rigor, uma mudança efetiva na relação do cidadão com a falta de responsabilidade com que trata seu voto. Quem detém, de fato, o poder, não é quem o exerce de direito. É quem os autoriza a exercê-lo, ou seja, o cidadão-eleitor-impostuinte. Nesse intervalo da história recente, os 20 anos compreendidos entre o impeachment de Collor até este momento quase final do mensalão, só nos foram apresentados frágeis jogos de cena, de forma que a cena segue livre para mais jogos de poder, de ambição pelo sucesso para obter mais dinheiro. Só temos visto jogos de corrupção. Mas continuamos votando nos culpados de sempre? É preciso aprender com isso e não ir às urnas esquecendo dos ditatoriais punhos fechados dos bandidos condenados à cadeia, em desafio escandaloso à ordem judicial sendo cumprida. 

A pedagogia da prisão dos mensaleiros não pode sofrer outros 20 anos de interstício. Que não se esqueçam as suas causas e suas consequências. Que um novo tempo de consciência mais pura, aplicada à prática, comece antes que os dias passados no cárcere da organização criminosa culpada pelo mensalão terminem.

1 comentário:

  1. Maravilha. Agora é o voto-limpo contra o ficha-suja.

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