quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O CONFISCO, A OPOSIÇÃO E AS VERDADES ESCAMOTEADAS DO PÚBLICO


Na tarde dessa terça-feira, 14, o presidente do PSDB e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves, concedeu uma entrevista coletiva para informar sobre as providências que o seu partido tomara a respeito do confisco de R$ 719 milhões das contas de poupança de clientes da Caixa Econômica Federal. O senador mineiro citou enfaticamente a necessidade de o Ministério Público Federal apurar "crime de irresponsabilidade ou de gestão temerária das autoridades financeiras, e de quem é essa responsabilidade". Ressaltou sem papas na língua que "é preciso, de forma muito clara nós ficarmos sabendo é se houve uma intenção do governo federal e da Caixa Econômica Federal de engordar o lucro da Caixa utilizando-se de recursos que não eram seus. Houve uma clara ilegalidade, já que o Banco Central determinou é que a Caixa expurgue do seu resultado, esses recursos. Mais uma vez a Caixa Econômica Federal vem seguindo a tradição de outras empresas públicas: absoluta falta de transparência e falta de respeito aos brasileiros"

Foi um discurso recheado de duras declarações e de cobranças severas de responsabilidades, seja por parte da entidade financeira, do Ministro da Fazenda Guido Mantega e de quem deve investigar. Afirmando ser necessária a punição dos crimes, se comprovados, cometidos contra o patrimônio dos clientes da CEF, Aécio apontou o dedo diretamente para o Governo Federal, ao dizer com contundência que é preciso apurar "se foi mais um gesto de esperteza da Caixa Econômica Federal para fraudar o seu lucro, já que foram pagos dividendos, inclusive impostos à União. A União foi beneficiária dessa ação indevida, já que foram pagos impostos ao Tesouro federal com base em um lucro fictício"

Toda a imprensa nacional foi convidada para a coletiva de Aécio Neves. Ao final de sua fala, os repórteres puderam fazer perguntas, com os microfones e gravadores junto à Aécio e câmeras de TV registrando tudo. Ainda enquanto a entrevista acontecia, abri uma "bolsa de apostas" sobre a possibilidade de emissoras de TV e de portais de notícia darem repercussão às - justas - críticas feitas pelo senador. À noite, em um post no Facebook, informei qual é o briefing que as editorias de política recebem do Palácio do Planalto (às vezes do próprio partido que tomou o país de assalto): elogiar Dilma sempre, citar falas, opiniões e ações de Eduardo Campos e ignorar solenemente Aécio Neves, desde que não seja possível construir uma mensagem negativa junto da notícia que forem obrigados a dar sobre ele. Confira aqui

Nem é preciso citar que o campeão de audiência, o Jornal Nacional, sequer mencionou que alguém, muito menos "a oposição", tenha cobrado a responsabilidade dos envolvidos no novo escândalo do PT, o confisco da poupança de milhares de brasileiros. Já os portais dos maiores jornais do país, repercutiram. Mas, vindo ao encontro da "cobertura isenta" da pauta que envolve o único candidato de oposição ao PT, Aécio Neves, os redatores e editores escolheram como "chamada de notícia" opiniões sobre... Eduardo Campos e Marina! 

Numa entrevista do candidato de oposição à Dilma, cujo objetivo era falar sobre escândalo petista da hora e que teve como bônus oposicionista observações mais que pertinentes sobre a crise de segurança pública a partir da tragédia carcerária no Maranhão, a imprensa finge que isso não é importante e dá destaque àquela dupla escalada para atender às necessidades da campanha da Dilma Rousseff, sendo o "adversário" que não lhe causará o menor risco. O Estadão chegou ao absurdo de postar duas matérias em dois horários diferentes, uma delas duas vezes, em dois "sítios" dentro do seu site, com mesma manchete desfocada do escândalo do confisco. Confira aqui e aqui.

No lugar de mostrar que Aécio Neves sequer titubeou em afirmou que a "Caixa Econômica Federal é reincidente. No episódio do Bolsa Família, onde o desgoverno da Caixa, mais uma vez a incompetência da Caixa, levou pânico a milhões de famílias brasileiras e como não houve sanção nenhuma, talvez eles achassem que poderiam continuar atuando de forma tão pouco transparente, como fizeram lá atrás. A Caixa errou, isso está claro. Se houve dolo, é preciso que as investigações do Ministério Público demonstrem. E se houver dolo, há crime, e crime tem que ser punido", noticia-se, pelo bem do governo, o fato secundário, a opinião de Aécio sobre o veto que Marina Silva impôs ao PSB de fazer alianças. 

Diante da falta de informação, o que fariam, então, os interessados no debate político? Evidentemente que seria acusar Aécio dizendo que não se viu o candidato da oposição criticar o governo pelo confisco do dinheiro. Esse é o objetivo do PT e do governo que muitos oposicionistas de web vem cumprindo, apenas porque não querem dar o braço à torcer que estão servindo, mesmo que sem intenção, sob medida para os interesses do PT.

Não é de agora que muitos de nós que não temos a desonestidade intelectual de nos juntarmos à moda de criticar a oposição ao invés de criticar o PT, a Dilma, o governo e seus desmandos, que afirmamos que a oposição tem feito, sim, o que deve fazer, de uns tempos para cá. O que não tem, ninguém tem, é como obrigar um editor-chefe a ser honesto com o telespectador/ouvinte/leitor e determinar aos seus subordinados que deem a notícia como um fato, e não como a versão que agrade ao Palácio do Planalto - ou ao Partido dos Trabalhadores. 

Veja uma parte da entrevista no vídeo a seguir. Você não precisa concordar comigo nem me dizer nada. Mas pode, se não o faz até hoje, começar a raciocinar aí com os seus botões sobre a necessidade de não unirmos os nossos inimigos em uma guerra. Quem é o inimigo do Brasil? O PT, o governo, a Dilma companheira do José Dirceu, essa gente que domina todos os noticiários com mentiras e enganações, ou a oposição, a única chance que o eleitor tem de livrar-se da praga mensaleira que carcome estepaiz?


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