terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O PLANO REAL E EU

(Imagem: Rede45)

Há 20 anos atrás classe média era classe média. Ainda não havia sido inventada pelo PT a Classe C, criada com o intuito de inocular uma falsa auto-estima a uma parcela da população para o governo parecer bom, aparentando prosperidade pelo consumo (a crédito com altos juros), já que não obteve, por desinteresse desse governo, melhoria de condição de vida lastreada em um crescimento pessoal através da educação e da conquista de melhores empregos. Em 1994, como sempre foi e até certo ponto ainda é, o sonho daquela classe média era a casa própria. Quem saía da casa dos pais (própria ou não) depois de estudar, entrava no mercado de trabalho, que ia morar sozinho ou se casava e constituía família, sonhava com a primeira moradia, antes de sonhar com o primeiro carro. Pois eu era assim, totalmente classe média, e a minha primeira morada que foi adquirida e paga com o meu trabalho, um apartamento de 90,94m2 a 27 km do centro de Brasilia, onde eu morava desde o final de 1991, eu devo ao Plano Real.

Comecei a trabalhar, com carteira assinada e todo o protocolo, em dezembro de 1986. Eu tinha 16 anos, e dois meses depois entrei na faculdade, a primeira que cursei. Jovem, solteira e com um bom salário para quem estava apenas começando a vida, não pensava em poupar para comprar imóvel. Meus pais nem tinham imóvel próprio, morávamos de aluguel. Mas casa própria não era uma urgência na vida de uma garota universitária com um mundo de viagens, discos (LP's), livros - e sapatos - para consumir. Em 1992 eu me casei, sem casa própria, mas esse era o objetivo. Quando o presidente Itamar Franco montou a equipe econômica que começou a formatar o Plano Real, eu trabalhava na Câmara dos Deputados, onde fiquei até 2009, e acompanhei muito de perto, privilegiadamente, a construção deste que não foi um plano de combate à inflação apenas, como pode parecer superficialmente. O Plano Real foi um plano de resgate de vida (poetizando, mas sem exageros), que, se tivesse sido implementado por um governo de esquerda como o do Lula, teria recebido um nome super-marqueteiro para ser idolatrado como a maior ação de igualdade sócio-econômica do Brasil. Porque acabar com uma inflação de 85% que carcomia todo o salário que recebíamos é, sem dúvida, dar chance e oportunidade para todos, igualmente. Mas desde que a cada um por sua capacidade, e não por sua necessidade.

Quando minha filha nasceu, em novembro de 1994, nós já tínhamos certeza que seria possível fazer uma poupança para, em no máximo 24 meses, comprarmos nosso primeiro imóvel: Fernando Henrique Cardoso havia sido eleito presidente da República há alguns dias. Com a inflação sob controle, essa poupança cresceu. Em fevereiro de 1996, compramos nosso apartamento. Parece - e até certo ponto é - um relato simplório e piegas, mas classe média é um estado de espírito. E não há estado de espírito melhor do que você entrar dentro de casa, escriturada, comprada com o fruto do seu trabalho, cujos impostos você quita rigorosamente, olhar para ela e dizer: é minha.

Clique aqui e veja: Plano Real, 20 anos: http://ow.ly/tSkqT


1 comentário:

  1. Também consegui não só o apartamento próprio, como também a primeira viagem internacional graças ao Plano Real. Com ele eu pude ter a certeza de que o dinheiro colocado na poupança naõ só rendia, como não seria tungado por outro aventureiro. O Real trouxe algo importantíssimo para um país: Confiança!
    Marcia1900

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