domingo, 9 de março de 2014

PMDB x PT: O RINGUE DO COMBATE


No Estadão deste domingo, 09, Dora Kramer confirma, com a competência de análise e a redação primorosa que lhe são peculiares, o motivo real da disputa mais recente travada entre o PMDB e o PT: a sobrevivência do partido de Michel Temer nos estados. O Veneno Veludo antecipou essa análise - e informação - em artigo postado no dia 07, sexta-feira. Confira aqui

No artigo "O nome da Crise", a articulista também enfatiza que a velha fisiológica disputa por cargos federais perdeu importância: "O buraco está literalmente mais embaixo, nos Estados. A raiz das desavenças é a partilha do poder real, vale dizer aquele resultante das urnas. Sem perspectiva (nem projeto) de candidatura presidencial, o PMDB vive de eleger boas bancadas para o Congresso", afirma Dora Kramer. 

Reafirmo que não apenas a questão estadual é motivação para a crise como também a conseqüência. O PMDB, de olho nos próximos 4 anos, mira o seu próprio futuro: a perda de cargos neste ano de 2014 não oferece nenhuma conseqüência trágica para seu projeto de poder. Antes, a manutenção da sua principal força - que é o poder regional - pesa muito mais na balança dessa aliança que pode, sim, ser desfeita. E além da "opressão" direta do PT nos estados querendo eleger mais gente (o que é legítimo) há o desgaste da imagem deste partido de José Dirceu, Delúbio e Genoino. Os escândalos de corrupção, principalmente em razão do mensalão, estão no imaginário do eleitor muito mais relacionados ao Parlamento do que ao Executivo. Desta forma, seguir junto com o PT em coligações estaduais prejudica muito mais o PMDB do que estar sozinho ou coligado com outros. O mensalão é do PT, e o PMDB não deve querer arriscar. Todas as pesquisas tem mostrado claramente que a corrupção já ocupa um lugar nunca antes destacado entre as maiores preocupações do eleitor: figura em quarto, depois da saúde, segurança pública e inflação. Chegar enfraquecido nas disputas dos pleitos municipais, em 2018, é trágico para o PMDB e ele sabe disso.

Se o ringue desse combate são os palanques estaduais, o apresentador da luta é Eduardo Cunha, o líder da bancada, que não fala por si e tampouco por birra. Qualquer líder da bancada fala pela bancada, e no representativo, uma bancada fala por milhares de pessoas, eleitores e evidentemente por filiados do partido que a forma. "Por essas e outras é que o deputado Eduardo Cunha não está reclamando por por conta própria e sozinho. O PMDB é o partido de maior capilaridade dentre todos. Grande e influente no interior dos estados país afora, seus diretórios estaduais funcionam como células: têm independência. Não há uma cega obediência ao comando central porque não lhes interessa isso, como ocorre com o PT, por exemplo. Seu poder reside, justamente, no fato de que cada liderado tenha o seu chefe político por perto, não numa longínqua Executiva Nacional a que poucos têm acesso. Assim, cada estado vai se adonar da sua própria decisão sobre a manutenção da aliança", publiquei há dois dias atrás.

Hoje se realiza a tal reunião dos expoentes do PMDB com Dilma Rousseff, inábil em negociações. Esta que vos fala não tem muita expectativa de que saiam desse encontro com a luta encerrada nesta data. Ainda teremos, independente de o resultado vir a ser vitória do PT com a manutenção da aliança, muitos rounds pela frente. Ainda teremos muita razão para novas postagens, inclusive que contradiga o que eu tenho afirmado (e hoje, Dora Kramer também). Porque a política é tão imponderável que suas variáveis podem conduzir a aliança PMDB e PT para... o mesmo lugar que já está. 

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