sábado, 27 de setembro de 2014

"EU QUERO VOTAR PRA PRESIDENTE"


Há 30 anos essa frase emergia do movimento que marcou a minha adolescência como o primeiro contato direto com a vida política do Brasil: "Eu quero votar pra presidente", o clamor das Diretas Já. Eu não iria votar. Tinha 13 anos e acabava de entrar no Segundo Grau, agora chamado Ensino Médio. Precoce eu, os alunos eram mais velhos e o diretor da minha escola distribuía, na portaria, fitas amarelas e reunia as turmas no pátio principal ou na quadra do ginásio que ainda estava em construção, para que ele e alguns professores falassem da importância daquele movimento, com Hino Nacional e tudo o mais. Era a esperança deles que tivéssemos a compreensão, desde jovens, do espírito daquela vontade que os tomava. No dia da votação da emenda Dante de Oliveira sequer houve aula. Foi na praça, com alto falantes com muito chiado e telão apagado que acompanhamos a sessão. Foi, certamente, nesta época, quando mais ouvi a palavra "democracia". Mineira que sou, no entanto, eu já era muito apaixonada por outra: "Liberdade".

Faltaram 22 votos para a emenda Dante de Oliveira ser aprovada em 1984 mas as eleições diretas para escolha de presidente da República era um passo irreversível. E foi consolidado, então, na Constituição de 1988, o regime democrático. Em 1989, finalmente, efetivou-se a sentença do movimento de anos atrás, com a primeira eleição direta para presidente. De lá para cá, a cada quatro anos, o que a gente faz? A cada quatro anos, votamos para presidente da República. A cada eleição temos a oportunidade de, no silêncio solitário da cabine de votação, derrubar o governo sem cano de armas apontado, sem soltar nenhuma bomba nas ruas, sem qualquer conflito ou violência. E o que a gente faz? O que a gente faz com a vontade de votar para o futuro no presente, para o melhor possível hoje, para avançar, determinando como viveremos nos outros anos seguintes? O que a gente faz?

O que legitima a democracia das escolhas nas cabines de votação não é o resultado em si, das urnas. É a atividade contínua das correntes da liberdade, a saber a liberdade de opinião da minoria - a que é derrotada. Não se legitima o regime democrático que impõe a cassação de uma liberdade em nome de outra. A tirania da vontade não é democracia, é apenas tirania, e ela ocorre mesmo sob o voto. Dos valores intangíveis que compõem uma Nação, nenhum é mais importante que a Liberdade. É nas asas da Liberdade que é possível estabelecer relações de confiança, seja entre os cidadãos, ou destes para o governo. E é um governo que preserva os princípios tanto da democracia quanto da liberdade, sem abrir mão de nenhuma delas, que legitima o voto de todos, inclusive dos que não conseguiram eleger seu escolhido.

Falta uma semana para cada um de nós, absolutamente sozinhos com a nossa consciência, olharmos a urna de frente e nela depositarmos a nossa confiança. Voto é confiança e o que temos recebido de volta no Brasil é a mais alta traição dessa confiança: corrupção em primeiro lugar, incompetência logo a seguir. O que temos pela frente não é muito diferente. São os agentes desse governo dos últimos anos que estão novamente à disposição, sendo impostos quase que como únicas opções, seja com uma cara ou com outra, sob a desculpa diáfana da democracia. Mas podemos escolher a liberdade. E o que a gente faz?

Eu quero votar para presidente. Não quero para o meu Brasil um governo de político que chegou ao poder por unção divina ou vindo de um universo etéreo paralelo, diretamente saído da mesma forma que a desgraça que se abateu sobre o país nos últimos 12 anos. Eu quero votar para presidente. Um voto que determine que o futuro terá o roteiro da liberdade. Quero senti-la em cada recanto deste país. Quero viver a liberdade em cada palavra de combate e crítica que eu mesma tratarei de dirigir àquele em que votei, que não estiver cumprindo, no seu mandato, os compromissos firmados com a confiança que lhe depositei na urna. 

Eu quero votar para presidente. Quero que Pátria não seja uma palavra abandonada, abominada assim como democracia foi por um tempo. Eu quero votar para presidente porque eu quero que esta Pátria vá falar no pleito. Que esta Pátria grite nas urnas que o Brasil está em uma total calamidade, em todos os setores. Eu quero votar para presidente mas quero votar num presidente que saiba, como eu sei, que não há outro caminho senão uma representação política que tenha a hombridade e a capacidade de reordenar este nosso país.

Eu vou para a urna votar. Não voto em pesquisa, voto em urna, urna começa com U e não com P, como ensinou o Senhor Constituição Ulisses Guimarães, e eu pude aprender. Eu vou para a urna votar, definindo não por casuísmo, pois este já tem às sobras no governo e no espírito dos políticos que o fizeram nesses 12 anos passados e que desse governo só saíram por puro oportunismo. Eu vou para a urna votar porque mesmo com tanta corrupção, tanta fraude - apresentando-se como Nova Política - eu vou sobreviver, qualquer que seja o resultado. Eu vou para a urna votar tocada pelo sentimento de mudança que só a minha consciência, livre, pode promover. Eu vou para a urna votar porque eu quero votar para presidente. E eu quero votar para presidente que não tenha medo de governar com a garra do gênio, na ousadia das probabilidades, no risco do espírito de luta mas que não se lança a aventuras com a vida dos outros. 

Chegou novamente aquele quarto ano, e o que a gente faz? Vota. "Quando alguém é impulsionado pela época a tomar uma decisão, já se disse que carrega a história", também afirmou outro ícone das Diretas Já, o principal deles,Teotônio Vilela. Eu quero votar para presidente para derrubar o monstro que tomou conta do país nos atos praticados por essas autoridades da pior estirpe, que trazem em sua formação as bases espúrias do PT. Eu vou para a urna votar para não permitir que outro monstro com outra cara dissimulada mas com a mesma pior estirpe, tome conta da esperança do fim de uma era trágica, e se adone dessa esperança apenas para destruí-la antes de podermos votar novamente. 

Eu quero votar para presidente porque a razão sempre sobrepuja a emoção. Porque eu quero votar não é para qualquer coisa. Eu quero votar para Presidente! Eu quero, na minha consciência silenciosa diante da urna, votar numa Nação. A razão determina: é com a emoção de votar carregando a história da minha decisão, que eu vou para a urna votar em Aécio Neves. 

2 comentários:

  1. Lá vou eu de novo!! rs
    Esse texto está perfeito dentro do que eu percebo cada linha. Eu também, Regina, eu também quero votar para presidente. E é com esse sentimento que estarei no dia 5 diante da urna pra apertar o 45, confirma. Confesso que meu coração está aflito. Horas eu acho que vou sim eleger meu presidente, horas acho que não dá tempo. Mas o que importará de verdade é que eu vou lá pra isso, pra votar pra presidente. Se der certo, vou me debulhar em lágrimas de emoção depois de três batalhas perdidas. Se der errado, vou seguir de cabeça erguida que não fui eu quem conduzi o meu povo até a "guilhotina". Seja o que os eleitores que sobrarem quiserem. Eu guardarei meu título nesse caso, para daqui a outros 4 anos, se por aqui ainda estiver. Enfim, como você eu vou para a urna votar em Aécio Neves.

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  2. Cara amiga Regina, parabéns por mais este excelente artigo !!
    Mesmo sabendo que as pesquisas não nos são favoráveis, o meu voto será dado ao Aécio Neves.
    Vou digitar 45 na urna nos 2 turnos, quero estar em paz com a minha consciência em 2015.
    Ainda temos 8 dias para continuarmos lutando, vamos em frente !!
    Um forte abraço !!
    @BobWebBB

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