quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

NATAL NAS TELAS DA MEMÓRIA

O texto abaixo é da querida Mirtes Guimarães e foi publicado neste blog em 2011. Republicá-lo é retratar o Natal na Memória duas vezes. Mirtes sempre foi uma colaboradora genial, cronista de primeira, que retratava o cotidiano como pouca gente é capaz. Na memória deste Natal de 2015, além dos seus preciosos textos, está a amizade que remonta mais de uma década, cuja saudade já é presente todos os dias. 



NATAL EM TODAS AS TELAS

Meus Natais sempre tiveram algo de misterioso. E a razão é simples: sem parente algum no Rio, as festas de fim-de-ano sempre eram passadas na casa de alguma tia em São Paulo. E, sabe-se lá porque, nunca era onde eu me hospedava. Assim, a surpresa era sempre garantida. Nunca sabia em que casa iluminada eu iria parar. Sim, justiça seja feita, os paulistas sempre se esmeraram em enfeites natalinos muito antes do pisca-pisca virar moda. Mas, o mistério maior era: será que Papai Noel saberia em que casa eu iria estar? E isto trazia outra pergunta importantíssima: Iria Papai-Noel deixar o presente na casa que eu estivesse à meia-noite, na casa onde eu estava hospedada, ou na minha no Rio? Mineiramente, deixava um par de sapatos próximo à árvore de cada local...

Talvez tenha sido o fato de nunca ter passado Natal em minha casa que fez com que eu sempre tivesse gostado mais da energia natalina do que da festa propriamente dita. Traduzindo, eu gostava de entrar na casa já arrumada para festa, e ouvir zum-zum-zum alegre, admirar as árvores enormes com embrulhos lindos dos presentes, salivar pelas comidas coloridas em cima de mesas idem. Segundos depois desta primeira olhada, o resmungo de um tio, ou a ordem mal-humorada de um adulto destruía a beleza. E lá iam as crianças, expulsas da sala, rumo ao jardim dos fundos... Nova emoção só bem mais tarde, ou talvez no outro dia quando da abertura do presente.

E esta não participação nos preparativos do Natal fazia com que ele fosse para mim realmente a festa de aniversário de alguém. Aquela a que você vai, mas, não se sente parte intrínseca dela. E talvez esta sensação de voyerismo seja o motivo de eu simplesmente a-do-rar alguns filmes de Natal. Sim, confesso que todo ano assisto a pelo menos quatro dos meus oito ou nove preferidos. E, sim, em alguns choro como norte-coreano em enterro de ditador...

Agora, atire a primeira bola vermelha aquele que não sentiu nem um nozinho na garganta, quando o padre britânico começa a tocar uma gaita de fole em pleno front da Primeira Guerra Mundial os soldados francesas o acompanham em uma gaita comum e de repente os alemães emendam um “Noite Feliz”. A cena de franceses, ingleses e alemães saindo das trincheiras e cumprimentando uns ao outros no “Feliz Natal” é uma das mais belas do cinema. E fica ainda mais emocionante quando se sabe que foi baseada em fato real.



Mais lágrimas misturadas ao champanhe na redescoberta da importância de cada um, enfatizada em “A Felicidade não se Compra”. 


E como não se emocionar com os soldados que voltam da Segunda Guerra e acabam ajudando um ex-comandante com problemas financeiros por conta de uma pousada quase falida? Bing Crosby cantando Natal Branco derruba qualquer um que jura não chorar em filme.



E o que falar da doçura da menina que vai ajudar a Papai Noel se defender em pleno julgamento em que ele é acusado de ser impostor, pois Santa Claus não existe, tema do “Milagre da Rua 34”? Ou a bonacheirice em forma desenho de Tom Hanks em “O expresso polar”? 


Agora, não se pode escrever doçura e fofura em relação a filme natalino sem citar as de Hugh Grant em Simplesmente Amor. Comédia, ironia e sentimentalismo em doses exatas, se não fosse o tal filme britânico. Da até para quase suportar o “Love is in the air".


Ainda no “momento fofo”, que tal o Macaulay Culkin e a companhia de balé de Nova Iorque nos levar de volta à infância com o sempre belo e tocante Quebra-nozes”? Comédia, drama, musical, desenho, o Natal pode ter várias formas e certamente ele tem a sua também. Basta querer encontrá-la. Afinal, até o Tim Burton, com seu jeito peculiar de filmar, nos deu de presente o seu Estranho Mundo de Jack, em que o “herói” cansado do Halloween sonhava com Papai Noel.


(Agora, pra não sair do clima da Mirtes, mas sem acrescentar mais um filme "de Natal", vai abaixo uma cena que gosto muito, e que diz tudo sobre encontros que parecem impossíveis (menos para a música). É para quem, como eu, se sabe desencontrado das festas de fim de ano, nos finais de ano. Beijos para todos, e que sejam os dias que virão com as festas, de muitos encontros incríveis pra vocês.)

1 comentário:

  1. Como não viajar nessa narrativa? Como não chorar de saudades da Mirtes? Feliz Natal onde vc estiver, ... RINDO DE NÓS !!!

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