domingo, 7 de novembro de 2010

FIM DE TARDE



A Serenata
(Adélia Prado) 

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardin.
Estou no começo do meu dessespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

5 comentários:

  1. Fuga pela esquerda: consulte a conta bancária, raramente dá erro.
    Eca, virei o bicho mais materialista da terra, nem poesia está me emocionando.

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  2. A questão, deste lado de cá, é apenas metafórica: abrir janelas que estavam fechadíssimas, mesmo sabendo que... bem, deixa pra lá!

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  3. De que modo vou abrir a janela,se não for doida?

    Empurra com as 2 mãos, pra não ter erro.
    No mínimo, vai entrar uma brisa nova!

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  4. marcia190707/11/10, 20:28

    minhas janelas permanecem abertas 24/7...

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  5. Mercia Almeida Neves20/01/12, 17:24

    Essa é das minhas...
    "Deus é mais velho que eu, e não é jovem. Isso sim é consolo".

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