quarta-feira, 24 de novembro de 2010

TRAGÉDIA ANUNCIADA



No Rio de Janeiro volta e meia estoura uma ação criminosa que atinge a população civil.
Nenhuma novidade nisso. Para tentarmos entender melhor a história, seria interessante voltar um pouco e analisar como o Estado lida com as organizações criminosas.

O fato é que nós, da sociedade civil, temos apenas informações “liberadas” para a imprensa e muitas vezes temos que recorrer a amigos que trabalham ou na mídia, ou na própria PM.
É o caso aqui, alguns amigos aposentados pela PM me garantem que a bronca atual é de uma facção que reinvindicou mordomias no Complexo Bangu e parece que, de início, não foram atendidos.

Parece que a atual situação começou com a operação mal sucedida no Hotel Intercontinental há uns 3 meses. Os marginais presos naquela operação pertencem a uma facção rival, enraizada na Rocinha, rival de marginais do Complexo do Alemão. A ação contra o Hotel seria para levantar fundos para compras de armas para se defenderem contra os do Complexo do Alemão. Estima-se que a venda de drogas na Rocinha rende em torno de 40 mil reais por dia  e estou sendo modesto na estimativa.

Duas coisas tem que ser ditas: a nova política das UPP’s é falha e perversa. Já repararam que a policia ao ocupar um morro não prendeu ninguém ? Pois é, funciona assim: Os marginais recebem o telefonema e 4 horas depois a policia sobe e instala a UPP, sem nenhum tiro disparado e ninguém preso! Os marginais se mandaram para o novo “point” no subúrbio, tomando um ponto de outros marginais mais fracos. Ocupam casas, expulsam ou matam famílias e se instalam de mala e cuias! 

O Estado do Rio comemora estatísticas de criminalidade, decrescentes, simplesmente empurrando as estatísticas para onde não são computadas, no subúrbio. Nenhuma ação efetiva foi feita para tirar a PM da imensa corrupção na qual 89% do efetivo da corporação está metida. É fácil de verificar: Um soldado da PM ganha R$ 850 por mês! Um PM tira em média R$ 5 mil por mês, entre “caixinha” da boca de fumo e achacamentos diversos. Seja no trânsito, clinicas de aborto, pequenos flagrantes de drogas e “proteção” ao comercio local.

Os enfrentamentos da PM com traficantes são APENAS para tirar um traficante que discorda da porcentagem, ou deixou de pagar a “semanada”. É para trocar o bandido, nunca para acabar com a boca de fumo.

Os incêndios recentes, em veículos particulares e ônibus são os recados que os bandidos estão mandando para o Bertrami (Secretário Estadual de Segurança) e o Cabral. Parece que já são 6 mortos, 8 carros particulares incendiados e 4 onibus. Sem contar com os carros que foram roubados no mesmo período, para atender a logística dos marginais.

A atual onda de terror, sim é terrorismo puro aplicado é um sinal claro e evidente de que a política de segurança está errada, visceralmente errada. O Estado só ganha o embate se colocar já na cadeia pelo menos uns 200 traficantes e nunca menos de uns 50 milicianos. Mas isso não vai acontecer. O PM não vai prender o “patrão” e muito menos vai ficar sem os R$ 5 mil por mês á mais do parco orçamento dele.

A sociedade tem uma imensa parcela de culpa nessa história: passa a mão na cabeça do viciado. Esse sim é o grande culpado desta situação deplorável. Isso vem desde a horrorosa gestão do Brizola até hoje. Já repararam que se faz política de tudo, menos uma política antipática ao viciado. Se a sociedade concordasse, teríamos uma política de Tolerância Zero para com o dependente.

Vai aqui a minha sugestão; 4 anos de internação em colônia agrícola há mais de 2000 kilometros do próprio domicilio. Trabalhar na lavoura de sol á sol não importa se é filinho de papai, patricinha da Av Veira Souto, ou se é frentista de posto no subúrbio. Estrangula se o consumo, diminui o faturamento da boca, e enfraquece a resistência dos marginais. Fica mais fácil de prender. Mas isso não vai acontecer. Filhos de “bacana”, drogados, não vão presos e assim as bocas de fumo, proliferam.

O outro culpado da história é o empresário; Ao longo de décadas aprendemos que diversos empresários financiavam o trafego; emprestavam dinheiro para o traficante. Esse ia para Paraguai em carro roubado, vendia o carro ali e junto com o dinheiro do financista, trazia 10 kgs de cocaína. Quando chegava no morro, esta coca era “batizada” e virava 50 kgs e vendido por um bom preço em trouxinhas. Tudo era vendido em menos de 10 dias.

Fica fácil entender que alguém empresta  U$15 mil para um traficante e 12 dias depois recebe U$ 22 mil de volta. Parece que o pagodeiro Belo estava nessa, pelo menos foi condenado pela sua “ligação” com um amigo traficante ! Tenho certeza de que alguns lembrarão do Lívio Bruni, herdeiro dos Cinemas Bruni. Esse exportava cocaína para a Espanha em latas de Azeite.

A situação do Rio de Janeiro é lamentável, porém fruto de políticas erradas para com o tráfico de drogas. A perspectiva é de que vai piorar. Não há Copa do Mundo ou Olimpiada que irá reverter isso.

2 comentários:

  1. atakardiac24/11/10, 18:03

    Isso mesmo. Colônia penal para todos(as) sem olhar prá cara. Trabalhar forçado de sol a sol prá aprender a dar valor a quem trabalha.

    Isolamento aos mais perigosos.

    Leis rígidas e uma justiça ágil.

    ResponderEliminar
  2. marcia190725/11/10, 01:47

    o rio só irá melhorar o dia em que houver vontade política do governante para efetuar esta mudança. e isto só acontecerá o dia que a população resolver exercer sua cidadania.
    enquanto o povo não se der o respeito, conviveremos com este inferno

    ResponderEliminar