sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

OPOSIÇÃO OU DESOPOSIÇÃO



44 milhões de eleitores. É a expressão mais citada em qualquer roda, notícia, artigo, post que fale sobre oposição. O que representa a expressão, todo mundo já sabe. O que ninguém sabe - porque ainda não se fez presente - é quem a representa.

Quase cinquenta por cento do eleitorado deixou claro que não queria entrar na nova Idade das Trevas, rejeitando Dilma Rousseff. Não foi suficiente. Mas em qualquer lugar do mundo civilizado, um capital eleitoral dessa monta daria ao derrotado - candidato e/ou partido - uma legitimidade vitoriosa: ganhar o direito de se opor.

Nós, os 44 milhões, já estivemos ansiosos, esperando a reação oposicionista. Já passamos pela apatia de não ver nenhuma ação nesse sentido. Agora, chegamos à revolta, com a tal Carta de Maceió, um brinde que os governadores eleitos do PSDB nos concederam.

Vamos falar sério: exceto pelo título exagerado que a imprensa - aquela que vive em estado de "genuflexão voluntária" ao governo peti-lulista - deu, qual é a novidade dessa "Carta"? Nenhuma! Em nenhum aspecto.

Quem de nós esperava que governadores que nem assumiram seus mandados saíssem atirando torpedos e bombas contra o governo Dilma? Se acompanhamos a crônica política destepaiz não é de hoje, já sabíamos que isso não aconteceria. É terrível, mas é assim que é. 

Um dos maiores - entre muitos - erros do tucanato é não querer absorver o sentimento do eleitor. Conhecer, ele conhece. Está vendo nossa movimentação. Saber, ele sabe. Mas simplesmente se recusa a fazer de conta. Poderia, se quisesse, fazer de conta como o PT, quando era oposição, sempre fez. Eu faria. Eu gritaria a cada palavra não dita pela dona Dilma (ela não diz, só sai nota da equipe de transição). Eu faria um auê com cada divulgação de nome para o Ministério de Coisa Nenhuma do seu desgoverno. Mas isso sou eu, eu não sou nem filiada, muito menos tenho qualquer cargo eletivo.

O faz-de-conta-que-acontece já seria um alento, para esses dias horríveis de "transição", de governo nenhum para o governo de coisa alguma.

O jeito é esperar, ainda que desconfiadíssima, pelo Parlamento. Sempre disse que oposição se faz é ali. Quero ver qual é a cara que o senador Álvaro Dias e o deputado Duarte Nogueira (provavelmente o próximo líder tucano na Câmara) darão para as suas respectivas bancadas.


(Leia aqui: Desoposição)

4 comentários:

  1. Jorge @atakardiac17/12/10, 11:49

    Outro dia li no twitter algo que achei de uma verdade duríssima para todos, a favor ou contra. No Brasil não oposição, há intere$$e$. Acrescentaria o mesmo para a situação. Só intere$$e$.

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  2. O processo de auto-consagração de loola só encontra parelha na auto-emplumagem dos tucanos. Perderam 3 eleições seguidas (e perderão outras tantas) apenas pela postura de endeusamento de seus componentes. Salvam-se poucos.

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  3. Texto excelente!

    Seu desabafo é também o nosso desabafo.
    Deixamos claro nas urnas que queríamos dar um basta a esse governo nocivo. Não logramos êxito, mas, indubitavelmente, cravamos o nosso aval para a oposição ir à luta e vestir definitivamente a camisa com as cores de nossa indignação diante da licenciosidade do governo petista. Registramos, autenticamos e bradamos ao Brasil que queríamos lutar contra os abusos, as falcatruas e o cinismo que há oito anos aqui imperam como se legítimos fossem.
    E qual foi a resposta que recebemos?
    Ignoraram-nos! É isso aí: nós, os 44 milhões de eleitores, fomos mandados para o limbo, para o depósito de coisas inúteis.
    Não obstante esse descaso, sabemos muito bem que 'coisas inúteis' são esses políticos que se diziam de oposição. Eles não mais se apresentam travestidos de antagonistas ao que quer que seja.
    Agora eles também registraram, autenticaram e bradaram ao Brasil que os políticos da suposta oposição são da mesma laia que os do governo que aí está.
    Lamentável. Dolorosamente lamentável.

    Selma Buss

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  4. marcia190717/12/10, 22:13

    pois é. a ironia é que o psdb "social-democrata" se continuar nesta passividade e covardia vai empurrar o eleitorado para a direita.

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