terça-feira, 11 de outubro de 2011

CAI A NOITE


          Dois grãos de areia juntos no leito,
          Cabeça contra cabeça ao redor do céu,
     Repousam, cada qual de seu lado, com toda a imensa praia,
Com o mar que cobre o cair de sua noite sem nomes;
E fora de cada concha abobadada e enraizada ao solo
          Uma única voz acorrentada conclama
     A fêmea, à morte, e o macho
     À traição libidinosa,
Que se dissolve em ouro sob o véu das águas.
     Uma frágil ave adormecida
Junto às asas de seu amante que se contraem para o vôo matinal,
          Dentro dos ramos de seu ninho
          Canta para o falcão peregrino
Carcaça, paraíso, gorjeio de minha gema cintilante.
     Uma lâmina de relva estende o seu desejo à pradaria,
Uma pedra jaz perdida e aferrolhada na colina que ondula de cotovias.
Exposta como o ar à sombra nua
          Oh, ela que jaz sozinha e imóvel,
          Inocente entre duas guerras,
Com seu irmão secreto e incestuoso nos segundos que eternizam as estrelas,
     Um homem dilacerado se lamenta na noite solitária.
E os que chegam logo, os mais perversos, os inimigos que emergem das
                                                                                        [profundas
Trevas esquecidas, ralentam o pulso e sepultam seus mortos no sono infiel 
                                                                         [em que ela mergulhou.

Dylan Thomas

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