segunda-feira, 2 de julho de 2012

CAI A NOITE - O TEMPO DESCANSA


A vida, talvez, precise de pausas

Contemplar de olhos, à margem
Ficar calmo como o céu azul

Sem espanto, sem tanto - interrogar
Anoitecer, desmundar-se sem o mundo
- abandonar
Nascer com o dia, todo dia, amanhecer 
Sem penar, atravessar o dia na pele - leve
Flutuar - debruçar no prado ao relento
Como o sereno nas folhas - de madrugadinha. 
"Pescar, comer churrasco, tomar cerveja, 
dormir à sombra" - à tardinha 
Ser quem é, é-se sendo.
Sem despertar nem sentir - medo 
Pois é assim que é. 
De olhar dourado calmo, como água ao sol
No horizonte a deitar, outra vez
Vida circular!
Aqui, lá, em qualquer lugar 
Aonde a noite espera-se, já
Dormindo. É a medida do sem-fim.
Somos, crescemos - depois é que nascemos
Estamo-nos! Tu estás aí, e estás em mim.
A vida, toda, precisa de pausas. 
"Podemos sentir saudades."





[Reedição, dessa vez é um post não da mesma época. O motivo é o mesmo, porém usado agora por esta outra razão. Com alterações no poema, e com clip! 
Contagem regressiva, 4]

2 comentários:

  1. "Carnaval: samba do descanso"! - que proposta gostosa... Tenho que te ouvir mais vezes.

    Fábio.

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  2. Que Delícia!!!

    Cada palavra, cada vírgula... que alma linda. São dezessete linhas de puro'Grande Sertão Veredas'. Uau!

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