CAI A NOITE
O teu sangue goteja em minha alma sedenta.
Pois (mesmo estando tão dura como um rochedo
E ainda tão carnal), essa gota bem cedo
A impedirá de ficar murcha, rija, ou odienta,
E a vida, que esta morte desde já implementa,
Deterá a morte, morta em tua morte, e ao medo
Da morte prima ou última então eu não cedo,
Se em teu livro o meu nome contiver ementa,
Nesse longo sono, a carne não apodrece,
Mas está pronta pro que sempre foi seu fado,
Nem a glória por outras maneiras conhece.
Que, livre da morte e do sono do pecado,
Possa, de ambos desperto, alçar-me em alegria,
Saudando o derradeiro e sempiterno dia.
John Donne em Sonetos - Ressurreição
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